Nome do Projeto
Resgatar… O Nascer…
 
Enquadramento do Projeto 
Grávidas em trabalho de parto, assistidas na Sala Partos e Unidade de Medicina Materno Fetal da Maternidade Bissaya Barreto – Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.
 
Necessidade(s) Identificada(s)
Nas últimas quatro décadas a assistência no parto foi massivamente medicalizada e institucionalizada de modo a prevenir riscos no binómio materno-fetal, levando à redução da autonomia e ao aumento da passividade das mulheres e gradual desconhecimento relativamente aos saberes do próprio corpo.
No cuidar centrado na mulher, as Enfermeiras ESMO assumem o papel de seu defensor, e permitem-lhe tomar as suas próprias decisões e escolhas informadas. torna-se necessário que seja enfatizado o empoderamento/capacitação das mulheres, afirmando a sua própria força e competências pessoais assim como um compromisso com a promoção do trabalho de parto e parto fisiológico (OE, 2015).
A essência dos cuidados em saude materna esta fortemente enraizada num modelo de assistência em que o ESMO trabalha em parceria com a mulher, colocando-a num lugar central no ciclo reprodutivo. Resgatar este processo pressupõe o afastamento do Modelo Biomedico.
Ainda segundo a OE (2015), dentro dos pontos chave da assistência da parteira é dar a liberdade de movimentos e posições à gravida durante o trabalho de parto. As diferentes posturas apresentam vantagens, como trabalho de parto mais curto, redução da necessidade de analgesia, menos episiotomias e alterações anormais da frequência cardiaca fetal, assim como sensação de maior controlo.
A OMS(2015) na assistência e promoção do parto normal enumera varias recomendações, sendo uma delas o encorajamento da mulher para adotar a posição que em que se sente mais confortável durante o trabalho de parto. Para isso deve ser incentivada por parte dos profissionais a adiar as posições verticalizadas no trabalho de parto.
A mudança de olhar sobre o efeito de muitas práticas em obstetrícia, com efeitos no binómio Grávida/RN tem sido incentivada por muitos estudos, como é exemplo o artigo de revisão de Torres, et al (2018), que salienta ser benéfica a formação dos profissionais de saúde em Portugal, para que aumentem as suas competências na assistência ao parto, aceitando qualquer posição escolhida pela mulher para o momento do nascimento.
A OMS escolheu 2020 para ser o ano internacional do Enfermeiro e da Parteira, como forma de assinalar o trabalho desenvolvido por estes profissionais indispensáveis aos cuidados de saúde, destacando as condições desafiadoras que estes enfrentam (SNS, 2019).
Como resposta a este repto e sendo Enfermeiras Especialistas de Saúde Materna e Obstétrica, com mais de uma década de experiência numa maternidade central, diariamente nos confrontamos com o desconhecimento e falta de autonomia das mulheres no seu processo de saúde, aliado ao enraizado do Modelo Biomédico dentro das instituições insistindo na posição da litotomia para o nascimento. É neste contexto que surge a necessidade de desenvolver este projeto na nossa instituição de forma a Resgatar o Nascer.
 
Objectivo(s) e Meta(s)
– Sensibilizar a equipa pluridisciplinar para a mudança, divulgando os benefícios da liberdade de posição e do movimento da pélvis, e promover práticas que facilitam a fase ativa do trabalho de parto.
– Estabelecer parcerias e protocolos de atuação com os vários elementos da equipa de saúde.
– Empoderar as mulheres para a liberdade de movimento e escolha do posicionamento de parto, de acordo com a sua singular idealização/cultura, de forma a tornar a experiência única e positiva.
– Diminuir o recurso à posição de litotomia no trabalho de parto, com consequentes ganhos em saúde.
 
Estratégias de Implementação
– Divulgação do projeto à instituição, população alvo e restante comunidade (sessões informativas, folhetos, posters …)
– Apresentação do projeto à instituição e à equipa pluridiscilplinar.
– Promoção de momentos de reflexão conjunta nos contextos diários, com vista à mudanças de práticas.
– Otimização do equipamento disponível, que permite a adoção de diferentes posições de parto.
 
Indicadores e Métodos de Avaliação
– Análise da eficácia do projeto e os efetivos ganhos em saúde (redução das taxas de episiotomia, redução da morbilidade materno-fetal…)
– Aplicação de um questionário de avaliação da satisfação das utentes/família.
 
Descrição dos Custos Previstos para a Implementação do Projeto
– Valores inerentes à aquisição de material diverso (bolas de pilates, lentilhas, bancos de parto, etc.)
– Ações de sensibilização para a população Gravida e equipa multiprofissional.
 
O valor do prémio (500€) cobre os custos previstos?
Não.
 
Se respondeu “NÃO” à questão anterior, como planeia obter o restante financiamento?
Solicitação ao conselho de administração da instituição CHUC.
 
De que forma o projeto pretende contribuir para um NASCER POSITIVO em Portugal?
Melhorando a satisfação das mulheres e famílias, e favorecendo a vivência de momentos marcantes e inesquecíveis.