Nome do Projeto
Mobilidade e Verticalidade em Trabalho de Parto
 
Enquadramento do Projeto 
Atualmente, existe já evidência suficiente na literatura de que as posições verticais e a mobilidade contribuem efetivamente para a diminuição da duração do trabalho de parto, para o bem-estar materno e fetal, para a diminuição da perceção dolorosa materna e maior satisfação com a experiência de parto, não parecendo estar associadas ao aumento do intervencionismo ou efeitos negativos para o bem-estar materno ou do recém-nascido. Por estas razões, as mulheres devem ser incentivadas a assumir qualquer posição que acharem mais confortável (Lawrence [et al], (2013)), durante a primeira e segunda etapas do trabalho de parto.
Recentemente, várias instituições nacionais publicaram orientações para a prática assistencial à mulher grávida, no sentido de dar resposta às recomendações mais recentes da OMS (2018) para a implementação de cuidados de enfermagem especializados:
– Recomendação 25: Encorajar a mobilidade e adoção de posições verticalizadas;
– Recomendação 34 e 35: Encorajar a adoção de posições verticalizadas para o parto, segundo a opção da mulher, esteja esta com ou sem analgesia epidural.
Partimos do pressuposto que o enfermeiro especialista em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO) assume, na sua prática profissional, a responsabilidade por intervenções autónomas em situações de baixo risco, e intervenções autónomas e interdependentes nas situações de médio e alto risco, envolvidas nos processos de vida do ciclo reprodutivo da mulher. Como tal, é da responsabilidade do EESMO a utilização de estratégias que permitam não só a implementação destas recomendações, como promovam o decorrer fisiológico do trabalho de parto e parto.
Não obstante, o Serviço Nacional de Saúde iniciou igualmente uma campanha para a humanização da prestação de cuidados ao utente e à valorização do trabalho dos profissionais. Neste sentido, este projeto pretende também dar resposta a esta iniciativa, uma vez que atualizando práticas, promovendo a reciclagem de conhecimento e englobando as diferentes equipas nos mesmos objetivos, iremos, sem dúvida, aumentar a satisfação das utentes que chegam até nós e promover um espírito de cooperação e comunicação eficaz entre os diversos profissionais.
Com o objetivo de dar resposta a estas diretivas, será importante ajustar a realidade das nossas salas de partos, assim como reajustar protocolos e fazer formação aos profissionais que cuidam das mulheres em trabalho de parto.
Este projeto pretende, por isso, envolver todos os profissionais que exerçam funções no serviço de Obstetrícia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho, EPE (CHVNG/E) e que prestem cuidados a utentes grávidas ao longo de todo o seu percurso de vivência desde a preparação, trabalho de parto e parto nesta instituição.
 
Necessidade(s) Identificada(s)
Atualizar práticas assistenciais às mulheres que recorrem ao serviço de Obstetrícia do CHVNG/E e inovar estratégias e recursos utilizados para ir ao encontro das recomendações mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Direção Geral de Saúde (DGS).
 
Objectivo(s) e Meta(s)
– Promover a fisiologia do trabalho de parto e parto aumentando a ocorrência de partos eutócicos;
– Diminuir a necessidade de medicação (e medicalização) durante o trabalho de parto;
– Aumentar a satisfação das utentes que recorrem ao nosso serviço;
– Aumentar a satisfação dos profissionais de saúde;
– Promover o serviço junto da população.
 
Estratégias de Implementação
– Realizar formação em serviço sobre as novas práticas baseadas em evidência na assistência ao trabalho de parto e parto, especificamente sobre mobilidade e posicionamentos durante a 1ª e 2ª fase do trabalho de parto, efeitos da mobilidade e opções de posicionamentos seguros para a parturiente.
– Convidar formadores externos para realização de formações para promoção das boas práticas – ex. o Colégio da Especialidade que tem formadores no projeto “Maternidade com Qualidade” para a atualização das práticas e criação de indicadores de qualidade e/ ou formadores estrangeiros especializados.
– Adquirir material/equipamento de suporte, de forma a potenciar a mobilidade garantindo opções seguras para as utentes e profissionais que as acompanham.
– Implementar um protocolo de analgesia com intervenções de EESMO para otimização do controlo de dor sem inibir a mobilidade (“walking-epidural”).
– Implementar o projeto de plano de parto com EESMO e abertura do mesmo a todas as utentes servidas pela instituição e centros de saúde do concelho.
– Criação de fichas/ manuais de consulta rápida para auxílio dos profissionais e utentes com estratégias práticas para a promoção da mobilidade.
 
Indicadores e Métodos de Avaliação
– Questionários de avaliação da satisfação das utentes/famílias;
– Questionários de avaliação da satisfação das EESMO
– Taxa de utilização do material novo
– Número de partos eutócicos
 
Descrição dos Custos Previstos para a Implementação do Projeto
– Aquisição de “bolas amendoim” (Pilates) (2 ou 3)
– Tapetes de ioga/ pilates (5)
– Discos de propriocepção (3)
– Bolas de pilates (6)
– Rebozos (2)
– Banco de parto (1 ou 2)
– Material de impressão para afixar e fazer formação entre colegas
 
O valor do prémio (500€) cobre os custos previstos?
Sim.
 
De que forma o projeto pretende contribuir para um NASCER POSITIVO em Portugal?
O projeto pressupõe que atualizando práticas, promovendo a reciclagem de conhecimentos e englobando as diferentes equipas nos mesmos objetivos, iremos aumentar a satisfação das utentes que chegam até nós e contribuir para ter mulheres e profissionais mais empoderados.
Este prémio será fundamental para o impulso que este projeto necessita para sair do papel. Numa fase em que o financiamento por parte da administração pública está basicamente cortado, poder implementar as fases iniciais do projeto e a aquisição de material base fará toda a diferença para o seu sucesso.