Nome do Projeto
Expectativas de Grávidas e Seus Companheiros sobre o Nascimento (pela investigadora Cláudia Catarina Granjo Agostinho)

Enquadramento do Projeto 
“Nascer Positivo” é um movimento recente da OMS, que no seguimento de outras orientações, recomenda o Plano de Parto. O Plano de Parto, Plano de Nascimento ou Plano de Preferências de Parto (PP), consiste num documento escrito, individualizado, realizado de preferência entre as 28-32 semanas de gestação, uma via para obter as condições que a mulher prefere e necessita no decorrer do TP. O PP servirá, como elo entre o casal e a equipa de saúde, promovendo a comunicação clara entre ambos. Contudo, este plano deve ser realista, exequível e flexível dados os possíveis desvios na evolução do TP.
A experiência de TP tem também destaque na nova diretriz da Organização Mundial de Saúde (OMS) – modelo de cuidados intraparto. Sublinha-se o direito da mulher para desenvolver o seu TP num ambiente seguro, no enquadramento de cuidados médicos, sendo simultaneamente, o centro da intervenção. Surge assim o novo conceito de parto positivo. Resulta do a) cumprimento e superação das crenças, reconhecendo expectativas pessoais e socioculturais da mulher; b) do nascimento de bebés saudáveis em ambiente clínico e psicologicamente seguro; c) da continuidade do apoio prático e emocional do nascimento e ainda d) do acompanhamento de uma equipa clínica tecnicamente competente.

Necessidade(s) Identificada(s)
Se o desenvolvimento científico-tecnológico levou a maior medicalização no processo de parir, não anula o determinismo biológico, no conflito do dilema obstétrico e na necessidade socio-emocional de amparo e ajuda. O progresso técnico ter-se-á sobrevalorizado, em detrimento do que é natural, criando na mulher uma certa insegurança e sentido de incapacidade para o TP. Tal afetará, porventura, a sua experiência de maternidade. Atingiu-se uma medicalização tão elevada que em movimento de equilíbrio, a nível nacional e internacional, emanaram orientações, sobre o valor major do parto vaginal (i.e., Portaria n.º 310/2016; DR, 1.ª série — N.º 236, 12 de dezembro).
O objetivo de atuação do EESMO é a promoção do parto normal, com enfoque no parto natural. A evidência revela que uma maior satisfação da mulher com a experiência de parto está associada ao parto natural e principalmente, ao tipo de assistência que lhe é prestada. Os cuidados oferecidos pelo EESMO são flexíveis, criativos, promotores de capacitação/empoderamento e apoio às mulheres. Têm por base num modelo assistencial holístico, que olha a família em transição, em ambas as figuras parentais. Além deste modus operandi desejável no exercício dos cuidados, a aplicação de um PP redigido pela mulher/casal, pode ser medida optimizadora da experiência de parto e do resultado. É na realidade através da evidência e do respeito pelas características individuais de cada mulher, que o EESMO concorre para a autonomia nas suas práticas, perseguindo simultaneamente novas diretrizes de instituições/entidades/figuras representativas em saúde, como é a OMS, o programa Mother-Friendly Childbirth Initiative (MFCI), a International Confederation of Midwives ou a Ordem dos Enfermeiros.

Objectivo(s) e Meta(s)
Com esta investigação pretende-se atingir os seguintes objetivos: a) Descrever as expetativas da gravida e respetivo companheiro quanto ao trabalho de parto e b) identificar a intenção de utilização/rejeição do Plano de Parto.

Estratégias de Implementação
O estudo assenta numa metodologia descritiva, transversal e quantitativa. A aplicação do instrumento de recolha de dados, às mulheres/casal, utentes dos serviços onde se realiza o Estágio, será sujeita a permissão do supervisor clínico. Terá o consentimento informado do utente. Os procedimentos metodológicos em respeito pela propriedade intelectual, incluem o pedido de permissão à autora original da Childbirth Expectations Questionnaire (CEQ), para utilização do instrumento, que foi concedido.
O instrumento de recolha de dados está dividido em três partes:
a) Dados demográficos;
b) Dados obstétricos;
c) Uma versão do Childbirth Expectations Questionnaire (CEQ).
O CEQ foi desenvolvido para estudar a perceção das mulheres na primeira experiência de parto, medindo importantes aspetos da satisfação materna no TP e P. A versão utilizada é composta por 37 itens, distribuídos por cinco fatores (ambiente de cuidados – 13 itens; expectativa de dor no parto – 5 itens; apoio do marido/companheiro – 6 itens; controlo e participação e suporte médico – 4 itens). A resposta é dada segundo uma escala de tipo Likert de 5 pontos variando de 1 (Discordo Totalmente) a 5 (Concordo Totalmente). Os itens negativos serão revertidos. O score obtém-se pela soma, variando entre 37 a 185.

Indicadores e Métodos de Avaliação
A amostra é de conveniência de grávidas/companheiros, por recrutamento, nos serviços onde se realiza o Estágio, no enquadramento da experiência clínica da mestranda. Estima-se atingir aproximadamente 80-100 casos. Na seleção de participantes consideram-se como critérios de inclusão: a) compreender a língua portuguesa falado e escrita; b) maior idade; c) gestação de feto único e d) estar no 3º trimestre de gravidez.
A recolha de dados ocorrerá durante o período compreendido entre janeiro de 2019 a Fevereiro de 2019, às grávidas respetivos companheiros que reúnam critérios de inclusão, mencionados anteriormente. O tratamento e análise dos dados, realiza-se no Software IBM® SPSS®, versão 24.
Apresentadas estas ideias e considerando-se a descrição das expectativas e experiências do TP da mulher/casal, julga-se confluir para uma melhoria dos cuidados do EESMO.

Descrição dos Custos Previstos para a Implementação do Projeto
Trata-se de um projeto académico para aquisição de grau.
O projeto teve parecer positivo da Comissão de Ética da Universidade de Évora e foi aprovado pelos conselheiros do Conselho Técnico-Científico da UEESESJD; tem orientação pedagógica de docente da Universidade de Évora e a recolha de dados tem a supervisão clinica da Enfª Especialista SMO.
Sendo um projeto académico, os encargos económicos estão sob a responsabilidade da mestranda.

O valor do prémio (500€) cobre os custos previstos?
Sim.

De que forma o projeto pretende contribuir para um NASCER POSITIVO em Portugal?
Considera-se importante estudar este tema, no sentido em que a experiência de nascimento influenciará restantes gravidezes da mulher/casal. Destaca-se, assim, o papel da mulher, como o centro do processo de TP, para que possa tomar decisões e o EESMO, como o agente com competências necessárias para promover experiências positivas de parto.